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Precisamos de um inimigo
Onde está o inimigo? Mas, e hoje? Onde está o inimigo? A televisão especializou-se em atiçar os valores mórbidos que todos fingimos não ter. Mortes ao vivo, na hora do jantar. Desde o início da história, comunidades e civilizações dispensaram honras e respeito aos seus mortos. Hoje mostramos mortes como cenas de circo, sem respeito ao espírito ou à alma dos que se vão. Quem se importa com os amores e sonhos de um mexicano que morre afogado? Ou de uma brasileira morta diante da incompetência de um batalhão? Sempre matamos, sempre roubamos, sempre cometemos crimes. Mas nunca os cometemos com tamanha brutalidade e por tanta banalidade. E, se banal é a morte, banal é a vida. E banais são os viventes. Atiremo-los, pois, do alto das prisões e da febens. Shows são armados em praça pública, para que os espertos extraiam da simplicidade dos que passam, o riso de escárnio que soltamos, dos outros, claro, por não termos piedade de nossa mesquinhez. O que há de mais odioso que um festival de pegadinhas, onde se abusa da simplicidade dos que outrora seriam felizes, por que deles é o reino dos céus? Qual de vocês, leitores de jornal, internautas esclarecidos, concordaria em ter sua imagem exposta ao ridículo, com o objetivo de aumentar os índices de popularidade de um programa de TV?
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