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Como tornar-se um AutodidataParte 6 Postura A postura é o principal atributo de todo autodidata. Não se trata de se sentar corretamente frente ao computador, embora isso seja importante. Trata-se aqui da postura no sentido da maneira de se pensar e agir, da atitute. Trata-se, pois, de uma atitude correta perante o saber. A postura usual trata o aprendizado como uma aquisição: senta-se em um banco escolar, ouve-se um detentor do saber, repete-se as lições através de algumas leituras, num processo erroneamente chamado de "estudo" e pronto: adquiriu-se o saber. Esse é o processo normal da maioria dos cursos escolares, em todos os níveis. Não é de se espantar a quantidade de maus profissionais existentes no mundo. Esse processo de "aprendizado" consiste em várias etapas, todas necessárias, válidas e importantes. Mas não suficientes. Vejamos estas etapas. O conhecimento está CODIFICADO, normalmente na forma de livros ou, em alguns casos, na forma de discurso do orador. O aluno então decodifica-o através da leitura ou assistindo a uma aula. Esse conhecimento está então ARMAZENADO em livros, bibliotecas ou na experiência de alguém. Como algo armazenado, ele deve então FLUIR do sábio para o inculto. RECUPERAR esse conhecimento é o processo, nem sempre passivo, de se adquirir o conhecimento. TRANSFORMAR o conhecimento acumulado é outra tarefa possível e desejável e mesmo necessária para o desenvolvimento humano. Essa transformação, em nossa época, utiliza um método, conhecido como científico. Isso significa que o conhecimento válido, aceito por todos, obedece aos trâmites da Ciência, em termos de experimentação, demonstração, prova e reprodutibilidade. Esta é a parte "normal" do conhecer. E, infelizmente, a única face que a maioria dos estudantes conhece ou é dada a conhecer. O saber assim descrito é válido, é culto. E é responsável pela maioria do progresso técnico de nossa época. Mas é como uma casa sem crianças. Não tem viço. É desprovido de criatividade, é mecânico, finito e sem graça. Os estudiosos da epistemologia (o estudo do conhecimento) chamam aqueles ítens de "capacidades cognitivas de ordem inferior". Como contrapartida, existem as capacidades superiores. São capacidades que permitem ao sujeito PLANEJAR, ATIVAR, MONITORAR, AVALIAR e MODIFICAR o processo de conhecimento. Não se trata mais de conhecer e aplicar determinado método, mas de construir outro método. É a diferença em se usar uma máquina e se construir uma máquina melhor. Essa é a postura necessária. É a forma de se encarar o conhecimento. Nada é dado, tudo é questionável. A minha ignorância não é um dado. Se alguém sabe eu também posso saber. Eu sou capaz de saber. E eu posso saber mais. E posso mesmo descobrir que o que se sabe está errado e deve ser descartado. E o que o professor diz é questionável. Aquilo é ou é apenas o entendimento ou a interpretação dada pelo professor? A todas estas dúvidas, responde o autodidata: "Eu sou capaz de entender, vou entender." Copiar o que os outros fazem não é algo adequado. O autodidata normalmente volta à pergunta original que lhe fez despertar o interesse pela questão e apreende o todo segundo sua necessidade, seu próprio método e pela sua própria satisfação. Isso é soberania.
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