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Precisamos de um inimigo
Privatização Os bens que conseguimos construir nas últimas décadas? Esses foram vendidos. Vendidos barato e ainda com garantia de isenção de impostos. E, na quase totalidade, vendidos com financiamento nosso. E com garantia de que os preços dos bens e serviços seriam reajustados pelo maior índice possível. Haja insegurança, haja medo de não conseguir vender. Isso é que é falta de amor-próprio, de auto-estima, de dar valor ao que é nosso. E de incompetência na gestão do que é de todos. Oferecemos tudo, quase de graça, e ainda comemoramos quando alguém compra. Hoje temos um ministro todo-poderoso, zélia de terno. Esses ministros parecem zumbis, desprovidos de sensações, assexuados. Um sem tamanho de sem-graceza. Mas em tudo mandam. Pegam o dinheiro dos nossos bens privatizados e decidem que vão continuar pagando juros altíssimos, por pura falta de confiança no que fazem. Perguntem a eles onde está o dinheiro da privatização. Por que vendemos quase tudo e nossa dívida multiplicou-se? Não era prá ser ao contrário? Ah, o viés é de baixa! E o descaramento está em alta. Estamos há cinco anos no plano de transferência real de renda do setor produtivo para o setor financeiro. E abram-se as portas para os bancos internacionais porque, afinal de contas, somos ou não somos globalizados? Temos que mostrar ao mundo que somos bonzinhos, que abrimos nosso mercado de graça, sem pedir nada em troca, só para mostrarmos que somos gente-boa. Ou é muita falta de amor-próprio e de compromisso com as gerações futuras, ou é crime mesmo, desavergonhado, sem escrúpulos. A novidade é que a Amazônia possa vir a ser "fiscalizada" pela ONU. Já abrimos mão da soberania sobre Minas Gerais, afinal, lá é terra do Itamar. Agora vamos concordar que não somos capazes de gerir a Amazônia e, talvez, também o Pantanal. Já tem estudante norte-americano aprendendo que a floresta amazônica é da humanidade e que o Brasil acaba onde ela começa. Já tem até mapa pronto. Eles planejam bem. Será trabalho para uma geração. Ensinam agora os que agirão no futuro. E nós? Ah, nós ensinamos aos nossos futuros que devemos ser cordeiros globalizados. Argumentos? Quem tem armas não precisa de argumentos, vem e toma. Mas, pode-se justificar: "lembram-se do dinheiro que demos a eles, através do FMI? Isso era dinheiro do povo norte-americano, pagando por aquele chão que eles depredavam. Agora não querem entregar o que compramos e já pagamos. Por isso, vamos lá tomar."
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