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A imprensa e os hackers
Programadores de verdade Antes do advento dos microcomputadores, ou computadores pessoais, os micreiros gostavam de se auto-denominar "programadores de verdade". Conheciam de cor cada instrução de cada processador. E faziam programas diretamente na linguagem da máquina. Programadores de verdade eram raros e se restringiam basicamente a ambientes de Universidades, que eram capazes de arcar com os custos dos equipamentos. A queda dos preços dos equipamentos e sua conseqüente difusão permitiu a proliferação desses programadores. Micreiros são programadores de verdade; e a maioria dos programadores de verdade hoje são micreiros. Um dos maiores prazeres de um micreiro é auxiliar outras pessoas a resolver problemas em seus computadores. É fácil identificar um micreiro (ou um futuro micreiro): qual empresa ou escritório não possui aquela pessoa que é sempre chamada quando o computador trava? Poucos se autodenominam micreiros; mas todos à sua volta o reconhecem como sendo um. O gosto pelo aprendizado, por repassar o que aprenderam e por discutir os assuntos que os interessam, cedo levou os micreiros a formar comunidades. Em pouco tempo, os computadores isolados já não atendiam à sede de mais saber: começou a interligação em rede. Quando as empresas utilizavam seus XT apenas para emissão de notas fiscais e para edição de cartas no Wordstar, os micreiros já trocavam mensagens entre os computadores; segundo um jornal de meados dos anos 1.980, "utilizando um aparelhinho que é ligado entre o computador e o telefone" (sic).
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