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O jornaleiro
Hoje, pela manhã, quando fui sair da garagem, vi que o jornaleiro vinha
vindo e resolví esperá-lo. Como não estou vindo almoçar em casa, o
jornal poderia ser um bom companheiro no intervalo. Enquanto esperava,
ocorreu-me o seguinte:
Lá vem o jornaleiro,
a moto é velha
os sacos são de lona.
O bandido ainda não matou,
o policial ainda não bandidou
o delegado ainda não corrompeu,
o político ainda não roubou
o povo ainda não baliu,
porque o jornaleiro ainda não chegou.
Fico vendo o jornaleiro vindo,
enquanto isso o mundo parou.
Se eu fosse poeta, talvez até me aventurasse a escrever alguns versos a
respeito. Mas, como mal escrevo prosa, melhor ler o meu jornal.
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