|
|
|

Adeus Mir!
Ela subiu em 1.986, como Mir, paz no idioma de seus construtores. Em
grande estilo, sob estrondos e
fogos de lágrimas como em poucas festas já vistos.
Espetáculo justo para um sonho humano de subir, de explorar os
céus terrenos, de alçar vôo. A missão era
nobre: proteger seus criadores do ambiente pouco aconchegante, muito
diferente do querido chão. Mas foi ainda mais nobre, ao permitir,
de suas janelas, a mais bela visão do lar. Generosa, protegia e
ainda mostrava a outra morada. Só mesmo ela para entender as
contradições de seus criadores: quando embaixo, todos
sonhavam alcançá-la; quando com ela, todos sonhavam com o
dia em que dela se despediriam.
Desculpou cada fraqueza dos seus construtores. Suas peças falharam mais de uma vez, pobres construtores corajosos mas
sem recursos. Ainda criança, cheia de vontades, chegou a se negar a falar com eles. Mas sempre retornou altiva, fazendo-se mulher adulta, mãe pródiga pronta a ceder novamente o ventre, a ser a morada dos criadores. Muitos a ela acorreram
com objetivos generosos buscando remédios para seus pares. Outros nem tanto, em busca de melhores instrumentos para
sua própria agressividade; justo na Paz! Mas que mãe renega o que há em seu ventre? Não se importava. Recebia cada um
deles com o melhor que podia oferecer.
Apenas 15 anos. Pouco tempo de vida para uma criatura que marcou a história de seus criadores. Mas soube entender seu
tempo e sua dimensão. Aceitou resignada quando os criadores a chamaram de volta à Terra. Dos criadores aos criadores.
Nem nesse momento final se deixou abater. Reservou um espetáculo final. Desceu tão feliz quanto subiu, em fogos de
artifício e estrondos de canhões. Não caiu por terra; quis a nobreza de sua existência que ela mergulhasse profundamente
no oceano, permanecendo majestosa como a convidar o homem a conhecer melhor também o interior de seu lar.
Descanse (em) Mir.
|